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Entrevista com salvaterra

-kumue hugo,faz tempo que nao ouvimos do "carpe diem" a que se deve o silencio?

O silencio esta prestes a ser quebrado, o projecto sofreu uma evolução matumba desde que foi postada a noticia na hipflickz, o álbum foi feito como a expressão que nos define, no dia a dia sem grandes pressões, o que posso dizer quanto ao silencio é que talvez este seja o momento da calma antes da tempestade...hehehe, porque o album esta praticamente concluido, em mistura e masterização o mesmo se pode dizer do trabalho grafico portanto é uma questao de pormenores até ao silencio dar lugar ao barulho.




2-fala-nos um pouco da vossa carreira ,o porque da ligacao com o BOB ...?
A ligação com o bob surge naturalmente, da amizade e da espontaneidade de duas personalidades que se espelham em termos de carácter, ideologia, sensibilidade e paixão musical. Somos dois manos sem gimmicks, que curtimos essencialmente musica independente, com um rap sem rótulos e caixinhas, que pode ser biográfico, interventivo, poético, abstracto...enfim. Estamos interessados em fazer musica “orgânica” ou seja colaborar com pessoas que curtimos, com quem travamos amizade e essencialmente fazer a musica que queremos fazer, não estamos interessados com musica “artificial” para agradar fulano ou cicrano, participações cínicas que envolvam dinheiro estratégias de marketing corporativas e coisas do género não constam na agenda.
Existe contudo, uma disparidade em fases de carreira. o bob já conta com um ep, e um álbum sobejamente conhecido no circuito do hiphop português e angolano, mad buzz nas streets, eu por outro lado ganho berço oficial com este primeiro projecto dos Carpe Diem.



3-Alem do projecto com o BOB ,sera que pudemos esperar algo do HUGO a solo?
Hehehe...sem duvida. Já comecei a esboçar uma mixtape sem fins comerciais pra atirar na net. Eu tenho uma grande paixão pelo indie rock, cinema e escrita, por isso o meu trabalho musical vai ter paralelismo com outras coisas, vou procurar fundir da melhor maneira essas paixões. Vou passar a escrever com frequência um texto para a Horizontal records, e tenho umas participaçõezitas agendadas para trabalhos de outros mc´s que sinto e uma outra numa compilação.

4-quais sao os productores que embarcaram neste projecto?

Na espinha estão o Laton e o Sam the kid, para apanharmos o feeling de dois mundos a que pertencemos o hiphop angolano e o hiphop tuga, quisemos tambem dar oportunidade a new comers que vendem talento e potencial, nomeadamente: Beat maniak, ancião, meko e raptor.

5-Qual é o teu ponto de vista em relação aos beefs entre mc's? e qual seria a solução para por fim a tais praticas?

Hiphop é vida. E nas letras de um mc, que se encontre com sanidade, e o mínimo de decência comunicativa encontram-se perspectivas, ideais e sentimentos. Cada um é livre de achar essas perspectivas ideais e sentimentos legítimos ou dignos de condenação. Tendo dito isso, o beef é normal. Contudo, há beefs saudáveis que forçam o oponente ao apogeu criativo e ajudam-no a evoluir, assim como há beefs infrutíferos e nocivos. Cabe a cada qual decidir nessas situações até que ponto vale a pena assumir beef ou ignorar.

6-Que apreciação fazes do estado de saúde do hip-hop nacional ?

Eu tive em Angola em Abril e a minha apreciação é a seguinte:
A maior parte dos programas de rádio tirando os programas especializados, aqueles a que as massas têm acesso raramente passam hiphop nacional, passam musica nacional de facto, mas é essencialmente kizomba, kuduro, pop-rap e r&b. negligenciam o hiphop.
Não existem majors propriamente ditas, existe uma contradição que eu acho engraçada, que é o surgimento de uma série de editoras com o rotulo de “indie”/”independente”/”underground” que surgem com a escola de hustlin americana, no que respeita a forma de marketing e propaganda, com street teams, t-shirts, flyers, boa masterização etc.. A que pela estrutura em si, eu dou props porque conseguiram adaptar a teoria de uma outra realidade, praticamente na nossa sociedade.
Mas que são contraditórias, porque uma editora independente tem a função de lançar artistas e não se limitar a “fabricar marionetas” com musica formatada, estereotipada, de sátiras e festa. Com o único intuito de fazer dinheiro. Com vídeos cliché americanizados, conceitos redundantes e ao fim do dia dizerem que são reais e que isso é o hiphop. Isso sinceramente mete-me nojo.
O “hiphop” em Luanda é impressionante porque o talento abunda, mas álbums clássicos não têm exposição decente, pela negligencia das editoras em masterizar e promover. E a ironia é que as editoras “independentes” que funcionam bem são aquelas em que apostam em pop rappers, sem a preocupação aparente de assinar hiphoppers.
Eu gostava que nessa nova vaga de editoras “independentes” se verificasse no mínimo, um equilíbrio, entre o rap das massas e a exposição da verdadeira cara do hiphop.
Acho também que tem de haver alternativas á portaria e Discotecas para se venderem albums, nos locais onde se fazem os concertos tem de haver 1 spot de venda.
Já que fizeste a pergunta pela perspectiva da saúde, da pra fazer uma analogia, os nossos bebés mais dotados, nascem em maternidades sem condições, sem qualidade, sem exposição, e são mal vistos no registo civil, a não ser que venham pra Portugal ou algo do género nascer, enquanto que os mais banais estão organizados, criaram as suas próprias clínicas e bem, e são aclamados como heróis.
Os manos do hiphop, que estão preocupados com a preservação desta cultura, que têm interesses que transcendem o dinheiro, têm de se organizar, e auto-ajudar. E somos um monte, mas parece que estamos mais interessados em competir, ou a desperdiçar as nossas energias com inveja dos outros.
Tirando a perspectiva de venda e marketing dos discos. Há liricistas, há bons beats, há bons flows, há publico, logo há saúde.



7-em suma quem é o Hugosalvaterra fora dos mics?

Já ouvi rumores de mc´s com nomes salvamarte ou salva-agua, salva…qq coisa, hehehe, muita gente não sabe mas, Salvaterra é o meu sobrenome,
E o que eu costumo dizer é que não tenho nome artístico porque a minha vida é arte.
Eu sou um mano comum, que mete a vida em musica, e todas as dicotomias que ela traz: paixoes–ódios, felicidades-tristezas, etc… a minha musica é a imitação da minha vida e dos meus ideiais. Sou um gajo comum, que ama, caga, limpa o pó…mais é escusado revelar.


8-ultimas dicas  ao pessoal?

dica..deixa ver: esta musica em primeiro lugar é minha, e a partir do momento em que te identificas com ela, deixa de ser minha e passa a ser nossa…se não te identificas…o mundo é feito de diversidades e dualiades.

Por:Manuel ricardo


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